terça-feira, 9 de março de 2010

Sonetos livres encadeados

Quem disse que o vento forte é melhor que a brisa leve?
Quem enalteceu a fúria das tempestades, a impetuosidade dos vulcões?
Quem glorifica o poder irreprimível dos furações?
Quem não se sente vivo sem a violência irrefreável da paixão?

Quem é feliz com a dor dos pseudo-amores impossíveis?
Com a angústia da desilusão e do desprezo?
Com a tormenta da rejeição infalível?
Com a agonia do fracasso anunciado?

A calmaria, a suavidade, têm mais força
A água que constantemente flui cria seu caminho
A passagem do tempo solidifica formas desenhadas em rochas

A brisa fresca beija suavemente as folhas e as leva
Por tráz de si, fica a floresta, semi-intacta
Alterada leve e continuamente por sua sutileza

Ah! Mas o homem não ambiciona a suavidade
Tampouco se satisfaz com as coisas singelas!
Quer cruzar fronteiras, acumular riquezas,
Conquistar o espaço, comandar nações!

Quer colecionar sexo, espalhar seu nome
E junto com sua ganancia distribui tormento
Destrói a pureza, inspira libertinagem
Destroça reputações, abate projetos

Ah quem finja amar para satisfazer seu ego frágil
Sedendo de conquistas para realizar-se
Troféus vazios, fúteis, ocos...

A paixão criada por ardis da ignomínia egoística
Traduz o terror, as algemas da devassidão,
A ruína da concupiscência eloquente.

Excede a história em exemplos de carnificina egocêntrica 
Transbordam estórias de ruínas e desespero
Alimentadas pela cobiça do egoísmo e da loucura
Adubadas com a lacívia da avidez psicótica

Não!
Jamais há que deixar a quimera do engodo prosperar!
Jamais há que deixar a instabilidade de fantasia tétrica dominar!

Há que se buscar a paz dos afetos genuínos
Há que valorizar o contentamento da dedicação sublime
Melhor o amor, calmo, constante, verdadeiro ... e longevo!

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