Sempre que penso em verão eu me lembro da infância. Era época de ir para a praia, andar de bicicleta na areia, nadar no mar, brincar na rede, fingindo que ela era um barco a remo, dando voltas no oceano em alguma competição maluca. Era tempo de andar na garupa do meu avô pela praia, e não só no trajeto portão-salão ou pelas ruas do bairro, e aguardar na fila enquanto ele levava todas as crianças do balneário.
A maior parte das minhas lembranças são da casa em um balneário meio afastado de uma cidade praiana no litoral sul. Retornei lá faz pouco tempo e não tinha mudado muita coisa na cidade, mas quase não reconheci a entrada do bairro. Bem, não reconheci a entrada, mas sim o seu número. Na cidade, continua lá a praça com a antiga cadeia pública, o coreto, a igrejinha, o que restou de um antigo convento, a ladeira do convento (que nas minhas memórias parecia bem maior), a feirinha de bugigangas, o parquinho de diversões, que antes tinha carrinho de bate-bate, uma montanha russa que nunca tive coragem de entrar e um trem fantasma tosco, mas de parada obrigatória em todos os verões. O sorvete de máquina, com gosto de groselha cremosa, não vi. Nem os vendedores de balões e do kit de bolinhas de sabão, que também eram obrigatórios.
Lembro bem da casa, super simples, afastada, da mini piscina que estava sempre cheia de pererecas, e duas redes. Duas redes! Só a rua principal era asfaltada. Tinha muito mato atrás da casa. Depois que andaram achando cobras no jardim não fui mais brincar lá. Preferia pegar a bicicleta e sair. Ia até o trilho do trem, andava nos arredores e na areia. Uma vez o guidão da bicicleta se soltou e fui parar de cara na areia. E mergulhar no mar.
Lembro bem da casa, super simples, afastada, da mini piscina que estava sempre cheia de pererecas, e duas redes. Duas redes! Só a rua principal era asfaltada. Tinha muito mato atrás da casa. Depois que andaram achando cobras no jardim não fui mais brincar lá. Preferia pegar a bicicleta e sair. Ia até o trilho do trem, andava nos arredores e na areia. Uma vez o guidão da bicicleta se soltou e fui parar de cara na areia. E mergulhar no mar.
Lembro que só íamos de carro para a cidade - muito longe para ir a pé. Uma vez sumi de tarde porque andava de bicicleta na areia com uma amiga e decidimos, de sopetão, pedalar até lá. Paramos no meio do caminho. Não avisei e é claro que tomei aquela bronca chegando em casa. Na minha inocência, achava que não tinha problema, afinal estava tudo ótimo e eu só tinha ido andar de bicicleta. Quando ficamos mais velhos (e conhecemos este mundo direito) é que aprendemos a importância de avisar essas coisas. E hoje em dia, que mãe deixa a filha pequena solta na rua andando de bicicleta?
Hoje não gosto tanto assim do verão. Gosto de tirar os vestidos do armário, gosto dos dias claros de sol e das noites agradáveis com brisa. Mas só. Sinto-me mal, mole, sem disposição. A praia mudou com o fim da infância. Não tem mais casa de praia (e com o preço dos imóveis não vai ter mais mesmo), não tem mais aquela alegria despreocupada ao entrar no mar. O sol parece mais forte, muito mais forte, não fico mais moreninha, mas vermelha. Acabou a graça de esculpir na areia, mergulhar sem compromisso... Não gosto de torrar ao sol, não me agrada a bebedeira. Sinto-me analisada todo o tempo, comparada com as magricelas e as capas de revista, uma imposição de comportamento tropical que não é meu natural. Nunca foi. O verão perdeu a inocência.
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