Inesperado.
Uma cadeira vazia e pronto, já não estava mais só com meus pensamentos e minha revista.
Sentou-se na minha frente, encarando-me.
Desconfortável.
Não sabia se conseguia disfarçar tamanho incômodo. Precisava fugir. Mas como?
Seu sorriso cínico e satisfeito denunciava o propósito desse encontro nada casual, doloso.
Surpreendente.
Versos bem estruturados surpreenderam-me, jogados na minha frente. Não poderia ser sua autoria.
Uma calma fria, cuidadosamente ensaiada acobertava a fúria de seu intento vingativo.
Duelo.
Proposto o embate procurei saída. Despreparada. Não queria duelo. Não queria contato.
Versos antecipadamente elaborados e rimados tratavam do sol majestoso, do chopp que trazia.
Desistência
Não era dia de versos. Não via rimas. Estava Arnaldo Antunes, abstrata, cubista, desconexa.
Encerrei a investida inquieta que vinha de seu olhar agudo, raivoso.
Ilógico.
Qual o propósito de prosseguir? Apenas o móvel mórbido da implicância gratuita?
Urgia o encerramento, decente, modesto, despresunçoso.
Negativa.
Levanto-me e deixo a arena na qual fui atirada à revelia.
Sem vencedores. Sem vencidos.
Paz.
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