Então é isso? É assim? Imaginei que fosse. Supunha que fosse assim. Alguma coisa me dizia que assim seria. Quando eu encontrasse eu saberia. Eu entenderia. Seria esse o sentimento, e não outro. E não nenhum outro que já tenha sentido. E assim foi. A ansiedade, o medo, a recusa, a perda, a conquista, a aceitação, o passo adiante, a paz. E tudo assim se resume à paz. Paixão não tem paz. Paixão não tem calma. Nem razão. Nem limites. Nem senso. Ah, paixão não tem senso algum. Amor tem paixão, também. Ele pode começar na paixão. Ou não. Paixão não tem amor. Ela pode virar amor. Ou não. Amor é outra coisa. É superação. É a calma, a paz a coragem. É superar a ansiedade, o medo, a raiva, a mágoa. Amor não é racional, mas raciocina. Talvez a única semelhança com a paixão seja a sua falta de limites. Ah, não. Ele tem limites. O amor se limita no amor. O meu amor por você se limita no meu amor por mim. Paixão dilacera, pode levar a ruína. Mas o amor não, ele é nobre. Ele conhece todos os defeitos e imperfeições, mas ele continua ali. É assim. É isso. É reafirmado em gestos assim, tão sutis que imperceptíveis. Intocáveis. De súbito me senti melancólica. Se eu soubesse antes... Mas como eu saberia? Eu supunha, esperava. Ah, no fundo eu imaginava que seria assim. De olhos fechados, em paz, calma, segura, um pensamento e a melancolia. Uma melancolia diferente de todas as outras. Uma vontade de permanecer ali, com aquela paz que não merece ser perturbada por nada. Eterna... Mas ela será. A paz é conquista, não um estado permanente. O equilíbrio é dinâmico, mutável. Não é um estado permanente, inerte. Deveria ser. Deveria ser sempre assim. Eterno... Ah, essa doçura, esse carinho. Meu mundo imerso em sensações de ternura e desejo. Amor... Meu amor... Será que eu o reconheceria se o conhecesse antes? Será que me reconheceria? Ah, não. Por certo que não. Apenas os erros, o sofrimento e a angústia do passado podem abrir nossos olhos e tornar-nos merecedores de receber esse presente. Apenas a superação das dúvidas e da culpa dá as forças necessárias para lutar por esse tesouro. E aceitar, superando qualquer receio. Amor... Lindo. Será tão forte quanto espero que seja, em toda sua fragilidade? Será dócil só em sua aparência? Sua aparência etérea, delicada, sutil, branda.
Um comentário:
É amor...
leveza de paina, doçura das colméias,
além da vida cotidiana e tributável
o amor permanece,
como as sempre vivas que ninguém
nem olha, de tão singela,
fotografe-a com a lente macro
e ela revelará suas nuances,
seus tons, sua delicadeza,
detalhes mínimos jamais alcançado
em milhares de poemas.
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