O dia começa com um assunto na cabeça. Aliás, os dias não começam mais, eles se emendam um no outro, semi-separados por algumas horas de pseudo-sono. A manhã continua com esse mesmo assunto e seus correlacionados na cabeça. Passa a tarde da mesma forma, com esse assunto e seus correlatos atormentando até o que se chama final da tarde, final do dia. O dia finge que termina quando escurece, mas o assunto e seus apêndices continuam atormentando da hora de jantar até o que seria a hora de dormir e nos intervalos entre os cochilos até que o dia renasça na continuação do dia anterior. O assunto é único, separado em temas, os assuntos correlatos nada mais são do que variações do mesmo tema. Entre um e outro pensamento alguma atividade é feita, algum estudo, alguma obrigação, alguma reflexão e nos últimos dias, algum texto forçado, arrancado sem muito critério, mas que precisa sair. E não adianta cobrar que eu fale desse assunto e desses temas porque já falei demais. Já falamos demais. Não dá para continuar pensando nesses temas e manter a postura otimista. Fazer isso seria muita ingenuidade. O tempo todo isso atormenta. Não parece óbvio que eu não queira pensar mais no mesmo assunto que está soprepensado? Não parece óbvio que eu me irrite profundamente ao ser forçada a tratar desse assunto sob óticas que eu já tratei de novo e de novo e de novo? Não vou mentir se disser que 90% do tempo é dedicado a esse assunto. E quanto mais o tempo passa e mais esse assunto é sedimentado, menos consigo manter a calma, mais a serenidade se esvai, mais a esperança se aniquila. Reprogramação mental? Ora... Se Laerte Ribeiro funcionasse de verdade já era para ter funcionado. A única coisa que resta agora são 7 bilhões de seres humanos se apinhando no mesmo planeta, prestes a implodir, com recessão anunciada que se alastra. O tempo corroeu a paciência, o otimismo. A insistência nesse assunto tem feito mais mal do que bem. Solução nenhuma se encontra nesse estado. Pare de me cobrar esse assunto. Não quero mais pensar nem falar nele. Se eu resolver o contrário, espere-me fazê-lo. Não insista. Não insista. Não insista. Não atormente mais do que a vida atormenta. O dia deveria ter se encerrado, mas o assunto permanece, e com o dia se vai minha disposição para ele. Deixe-me. Talvez a solução seja justamente conseguir o que agora parece impossível: esquecê-lo e parar de buscar respostas para essa infinidade de porquês.
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