domingo, 1 de julho de 2012

Pedido


Os românticos e os roteiristas da plantão adoram explorar esse tema. Seja um drama, um romance, uma comédia romântica ou um seriado nada romântico, o tema está lá. Às vezes me questiono se isso não seria coisa de americano. Eu, particularmente, não conheço muitas histórias de pedidos como aparecem nos filmes. Apenas um ou outro comentário em blogs especializados e alguns e-mails perdidos que nem sei se ainda estão na minha caixa postal de pedidos criativos.
Na vida real sei de uma tentativa de pedidos romântico que não saiu bem como esperado (mas que cumpriu a sua finalidade), de uma pergunta que aparentemente surgiu de forma espontânea no meio da conversa, e uma quase dedução, extraída de infindáveis indiretas mútuas. O resto são interrogações. Eu realmente não me recordo de muitas histórias sobre isso. Ou as pessoas não contam. Pode ser porque na maioria das vezes não foi mesmo nada demais.
Quem imagina aquela cena de filme, parece que falta algo. Romance? Isso é importante? Para os roteiristas dos filmes e seriados, aparentemente é. Sempre tem "aquele momento" que cria um marco: um antes e um depois. Um antes de ansiedade e suspense e um depois de preparativos. Quem assistiu o filme Sex and the City (não, caros amigos, não vi no cinema, vi depois em casa. Não é o tipo de filme que eu pago para ver no cinema - não tem efeitos especiais - mas é o tipo de filme ótimo para extrair comparativos.), saiu com essa impressão. A decisão tomada em uma conversa de dois adultos conduziu ao desastre, mas depois, feito o pedido "como se deve" deu certo. Certo? Ora, crianças, não foi bem assim. Mas essa conclusão já demanda raciocínio. Houve uma mudança de postura de ambos, que pararam de olhar para o próprio umbigo e viram o que seria melhor para o casal. Normalmente isso significa ceder um pouco de cada lado.
Com esses filmes (e alguns livros), uma ou outra história garimpada da internet e, com sorte, da vida real, os românticos de plantão acabam criando suas próprias ideias e fantasias. Mas a vida real não é feita de fantasias, ou melhor, não é feita só de fantasias.
Quem passa o seu tempo imaginando que o outro deve agir romanticamente o tempo todo corre o sério risco de se frustrar. Ou então tem muita sorte em encontrar alguém tão romântico quanto si mesmo. O amor não é algo simples, que vem e acontece tomando conta de tudo. É mais. É mais do que um sentimento. Para perdurar precisa de dedicação, carinho e respeito. E, acima de tudo, é uma decisão. A decisão de amar. A decisão de se relacionar com alguém além de si mesmo, para criar uma história comum, que corre em paralelo com suas próprias histórias.
E isso significa enxergar a si mesmo e enxergar o outro. Exige concessões mútuas. Exige compreensão nos momentos difíceis. Exige superar as dificuldades, dar apoio em momentos de crise financeira, ajudar com problemas de saúde. E outras, secar as lágrimas de dor e sonhos desfeitos. A vida é feita de emoções boas e ruins e os relacionamentos, por melhores que sejam, poderão enfrentar testes e dificuldades inúmeras. Falando assim, não tem nada de romântico.
A decisão de casar é uma etapa no processo de amadurecimento de uma relação. E ainda é mais do que simplesmente morar junto. O que importa é a decisão de formar uma família. Algo assim tão importante não pode ser feito com a preocupação apenas no momento. E não precisa de em grandes gestos românticos, como nos filmes. O que importa é a escolha do amor. Importa o respeito, o carinho, o companheirismo, para criar uma história, criar os momentos felizes e superar as dificuldades e fortalecer o amor. Isso é romance, e não os seus clichês.

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