Os românticos e os roteiristas da plantão adoram explorar
esse tema. Seja um drama, um romance, uma comédia romântica ou um seriado nada
romântico, o tema está lá. Às vezes me questiono se isso não seria coisa de
americano. Eu, particularmente, não conheço muitas histórias de pedidos como
aparecem nos filmes. Apenas um ou outro comentário em blogs especializados e
alguns e-mails perdidos que nem sei se ainda estão na minha caixa postal de
pedidos criativos.
Na vida real sei de uma tentativa de pedidos romântico que
não saiu bem como esperado (mas que cumpriu a sua finalidade), de uma pergunta
que aparentemente surgiu de forma espontânea no meio da conversa, e uma quase
dedução, extraída de infindáveis indiretas mútuas. O resto são interrogações.
Eu realmente não me recordo de muitas histórias sobre isso. Ou as pessoas não
contam. Pode ser porque na maioria das vezes não foi mesmo nada demais.
Quem imagina aquela cena de filme, parece que falta algo.
Romance? Isso é importante? Para os roteiristas dos filmes e seriados,
aparentemente é. Sempre tem "aquele momento" que cria um marco: um antes
e um depois. Um antes de ansiedade e suspense e um depois de preparativos. Quem
assistiu o filme Sex and the City (não, caros amigos, não vi no cinema, vi
depois em casa. Não é o tipo de filme que eu pago para ver no cinema - não tem
efeitos especiais - mas é o tipo de filme ótimo para extrair comparativos.),
saiu com essa impressão. A decisão tomada em uma conversa de dois adultos
conduziu ao desastre, mas depois, feito o pedido "como se deve" deu
certo. Certo? Ora, crianças, não foi bem assim. Mas essa conclusão já demanda
raciocínio. Houve uma mudança de postura de ambos, que pararam de olhar para o
próprio umbigo e viram o que seria melhor para o casal. Normalmente isso
significa ceder um pouco de cada lado.
Com esses filmes (e alguns livros), uma ou outra história
garimpada da internet e, com sorte, da vida real, os românticos de plantão acabam criando suas próprias ideias e fantasias. Mas a vida real não é feita de
fantasias, ou melhor, não é feita só de fantasias.
Quem passa o seu tempo imaginando que o outro deve agir
romanticamente o tempo todo corre o sério risco de se frustrar. Ou então tem
muita sorte em encontrar alguém tão romântico quanto si mesmo. O amor não é
algo simples, que vem e acontece tomando conta de tudo. É mais. É mais do que um
sentimento. Para perdurar precisa de dedicação, carinho e respeito. E, acima de
tudo, é uma decisão. A decisão de amar. A decisão de se relacionar com alguém
além de si mesmo, para criar uma história comum, que corre em paralelo com suas
próprias histórias.
E isso significa enxergar a si mesmo e enxergar o outro.
Exige concessões mútuas. Exige compreensão nos momentos difíceis. Exige superar
as dificuldades, dar apoio em momentos de crise financeira, ajudar com
problemas de saúde. E outras, secar as lágrimas de dor e sonhos desfeitos. A
vida é feita de emoções boas e ruins e os relacionamentos, por melhores que
sejam, poderão enfrentar testes e dificuldades inúmeras. Falando assim, não tem
nada de romântico.
A decisão de casar é uma etapa no processo de amadurecimento
de uma relação. E ainda é mais do que simplesmente morar junto. O que importa é
a decisão de formar uma família. Algo assim tão importante não pode ser feito
com a preocupação apenas no momento. E não precisa de em grandes gestos
românticos, como nos filmes. O que importa é a escolha do amor. Importa o
respeito, o carinho, o companheirismo, para criar uma história, criar os
momentos felizes e superar as dificuldades e fortalecer o amor. Isso é romance,
e não os seus clichês.
Nenhum comentário:
Postar um comentário