Olhos inchados pesam
Olhos vermelhos ardem
Não é possível dormir em prantos
De que serviu o meu receio?
Para quem foram meus avisos?
De nada adiantaram minhas dúvidas
Todas as barreiras foram transpostas
Todas as premonições confirmadas
Todos os paradigmas quebrados
Doei-me inteira
Nada mais me restava
Nada mais me pertencia
Entreguei meus lábios
Entreguei meu corpo
Meu tempo, pensamento
Meu pecado foi amar?
Sofri sua distância
Supliquei por seu amor
Esperei sua resposta
Implorei por sua presença
Recebi a sua ausência
Tive a alma arrancada
Entrego agora o pouco que me resta
Aceite minha última oferta:
O que há em mim de tudo o que foi tirado
Minha alma dilacerada
Minha fome não saciada
Meu sono inexistente
Entrego minhas lágrimas
Que brotam incansáveis do vazio
Mas que não permitirei perpetuarem-se
Entrego toda minha dor
Toda mágoa, para que a leve
E me liberte deste sofrimento
Não mais chorarei a sua ausência
Escrito em algum momento do ano de 2005, postado originalmente no extinto fotolog e reformado em outubro de 2009.
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