segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não mais chorarei a sua ausência

Olhos inchados pesam
Olhos vermelhos ardem
Não é possível dormir em prantos

De que serviu o meu receio?
Para quem foram meus avisos?
De nada adiantaram minhas dúvidas

Todas as barreiras foram transpostas
Todas as premonições confirmadas
Todos os paradigmas quebrados

Doei-me inteira
Nada mais me restava
Nada mais me pertencia

Entreguei meus lábios
Entreguei meu corpo
Meu tempo, pensamento

Meu pecado foi amar?

Sofri sua distância
Supliquei por seu amor
Esperei sua resposta

Implorei por sua presença
Recebi a sua ausência
Tive a alma arrancada

Entrego agora o pouco que me resta
Aceite minha última oferta:
O que há em mim de tudo o que foi tirado

Minha alma dilacerada
Minha fome não saciada
Meu sono inexistente

Entrego minhas lágrimas
Que brotam incansáveis do vazio
Mas que não permitirei perpetuarem-se

Entrego toda minha dor
Toda mágoa, para que a leve
E me liberte deste sofrimento

Não mais chorarei a sua ausência


Escrito em algum momento do ano de 2005, postado originalmente no extinto fotolog e reformado em outubro de 2009.

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