terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Convocação

Convoco sua consciência para a contenda
A fim de que vivencie minha angústia
Que alimenta este êxtase em desespero
Que corrói esta esperança em fracasso

Convoco seu devaneio para o debate
A fim de que conheça estas lembranças sombrias
Que aquecem meu remorso da desonra
Que envolvem este martírio da negligência

Devo coabitar com a usurpadora de seu pensamento?
Consigo conviver com a usurpadora de sua solicitude?
Posso partilhar-te com a usurpadora de seu cuidado?

Quão obstinada serei em meu desespero?
Até quando testemunharei seu viver irresoluto?
Nascida desconfiança sórdida em meu coração indócil.

***
Soneto jamais publicado, mas encaminhado ao VI concurso de poesias da OABSP, em 2009 cujo resultado ainda não saiu, sabe-se lá porquê.

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