Diz o bom senso, a sabedoria popular e, especialmente, os clichezeiros de plantão que quem se desilude é porque estava iludido antes. Se estava iludido antes, independentemente de quem provocou a ilusão, a culpa é, sempre e em última análise, do iludido, porque se deixou iludir, isso quanto não provocou sua própria ilusão. Assim, não adianta culpar o ilusionista, ou até adianta, mas sem nunca, jamais, se eximir da sua culpa em iludir-se.
Iludir-se não é tão difícil, especialmente se a ilusão vendida é tão boa quantos os sonhos. O real e o imaginário. Na ilusão o imaginário é tão real que está fundido na vida concreta.
Para se iludir, pode tudo andar muito bem, obrigado, ou não. Nesse segundo caso é um escape da dura realidade (mais um clichê pro post) e no primeiro, uma extensão: se está tudo indo tão bem, porque não pode ser ainda melhor?
Mas a ilusão logo acaba. Acaba quando se nota que o medo é maior que a vontade, que as razões não passam de desculpas, que a paranóia e a ansiedade alheia vão te tornando tão paranóico ou ansioso quanto e que soluções, gráficos, estatísticas, orçamentos e planilhas não significam nada quando o que se está em jogo é muito mais subjetivo do que objetivo. E a metodologia dos metódicos encontra o maior de todos os obstáculos: a teimosia.
Ilusões devem permanecer no imaginário. Se invadem o real, meus amigos, por falta de palavra melhor, fudeu.
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