Caminhava só. Onde estava? Uma floresta, talvez. Ou um bosque? Um lugar de clima temperado, provavelmente. Reconheço suas árvores altas, a perder de vista, de troncos grossos, espaçadas, entre elas a vegetação rasteira. Talvez. Surge a ameaça. Não se aproxima, não avisa, apenas surge. Ali, se materializa perante meus olhos. Um urso. Enorme, marrom como os ursos devem ser. Não os polares. Os polares são branquinhos e se confundem com a paisagem. O urso surge, em pé, imponente, aterrorizante. Pausa. Não há fuga. Há reação. Rujo. Sinto as patas no chão, as quatro, a juba desafiadora. E o rugido. Mas não parece o suficiente. Porque um leão não parece suficiente? Porque um tigre seria mais útil que um leão para enfrentar o urso? Mais forte? Mais ágil? Mais corajoso? Não. Apenas mais solitário. Os leões vivem em bando, em suas sociedades. Os tigres precisam bastar por si mesmos. Caminhava só. O tigre é melhor para enfrentar a fera. Não há fuga. Há resistência. Há o ataque para afastar o perigo. O perigo desaparece. Fica o tigre. O ex-leão transformado por suas dúvidas. Volto a ser eu mesma. Caminho só pela floresta. Minha floresta. Meu delírio.
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