terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ao reencontro

Depois de um longo período de agonia, ela morreu. Não que esse fato não fosse esperado, todos sabiam que um dia ela iria embora. Na verdade, até que viveu mais do que o esperado, mais do que seria normal. Porém, mais dia menos dia ela deve ir, e assim aconteceu, ela se foi. Talvez um dia renasça, completando o ciclo da vida: nascer, viver, morrer, renascer. Mas por enquanto, não.
Sua partida o deixou triste. Não, minto. Sua partida o deixou arrasado. A dor que ele sentia era do tipo desesperadora, daquelas que tiram a razão de viver. Mas ele sabia que precisava viver, seguir em frente, mesmo sem ela. E viveria, de acordo com seus planos, no entanto, o luto ainda o aguardava. Um luto longo e sofrido.
Ele não saía nunca. Passou a vida aguardando o momento em que iria encontrá-la. Ela saía de vez em quando, esperando encontrá-lo a qualquer momento, em qualquer lugar. É triste saber que eles passaram a vida procurando um ao outro, cada um à sua maneira, esperando esse encontro. Dizem que isso ocorre uma vez só, e nunca se repete. Sabendo disso, ele a aguardava, escondido, esperando o melhor momento de falar com ela.
Foi então que ela chegou, um pouco tímida ainda, e ele a ficou cercando, sem saber como agir. Mas sentou à mesa com ela e conversaram. E conviveram. Nesse momento, ele que existiu de verdade, ganhou significado. O destino estava traçado e ele sabia que, uma vez que a encontrasse, viveria com ela um tempo mas depois seguiria sozinho, e possivelmente nunca mais a veria, a não ser que ela renascesse, ali, no mesmo lugar, apenas para ele.
Eles passaram um bom tempo juntos. assim por alguns anos. É de conhecimento geral, que ela tem vida curta. Então, sabendo isso, ele esperou sua partida, no tempo que a ciência costuma prever para casos semelhantes, e ela não foi. Ele ficou tão feliz que achou que ela viveria para sempre a seu lado. Estava se enganando, pois a natureza, implacável, não a criou para durar. Ela vive na fantasia, e ele na realidade. Quando ele esta pronto, ela se vai. Mas neste caso em específico, mesmo pronto, ela lutou para ficar o mais que pudesse. Chegou, enfim, o dia em que ela adoeceu e depois de um longo periodo lutando pela vida, partiu.
Ele chora, em seu sofrimento inevitável. Lembra dela com saudades e pesar e chora. Pensa que seria impossível viver com ela eternamente, ao mesmo tempo em que ele não foi feito para suportá-la eternamente. Ela exige muito. Então ele segue, agoniado, pensando se um dia voltará a vê-la ou não. Sua intuição diz que sim, quando ela renascer. Só que o luto vem antes, e ele precisa estar completo. Ele se ergue e luta para prosseguir, mesmo que sozinho por um tempo. A esperança vive, e, quem sabe, assim, um dia, eles se reencontrem. Em breve.

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