Não tomava cuidado com o que dizia. Simplesmente dizia. E dizia como se fosse nada. Um dia disse, assim, distraídamente, como se a platéia fosse outra, como se conversasse com seus botões, disse. E assim dizendo, fez que fosse uma brincadeira, para irritar propositadamente, sem intenção verdadeira. Mas não era o que parecia. Parecia sério, como se pensasse alto uma verdade. O que se pretendia passar por uma brincadeira, como eram tantas e tão frequentes, não foi esquecido. Não passou impune, como uma anetoda qualquer. Ficou marcado. E isso foi se somando a outras coisinhas. E ao tempo. O tempo que passa cruelmente e vai arrastando tudo consigo, na sua fúria. Essas palavras, essa anedota qualquer, como o tempo, que foi ressaltando aquelas coisinhas, plantou uma ideia. A ideia que antes não existia. E a ideia é real. Tão real quanto aquelas palavras descuidadas e desatentas. Real demais.
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