Abriu os olhos. Não estava na sua casa e em nenhum lugar conhecido. Sentou naquela cama estranha e olhou em volta tentando descobrir o que ocorrera. Levantou-se, desconfiada, e andou silenciosamente até a porta do que parecia ser um quarto muito arrumado para um hospital, muito simples para um hotel.
Abriu a porta e chegou em um corredor claro e bem iluminado. Não havia ninguém. Andou pelos corredores largos daquele lugar estranho e foi até uma janela de virdro enorme. Viu um grande jardim, com grama alta e folhas secas no chão. Haviam alguns bancos e uma fonte desligada no centro. Respirou fundo, então percebeu que tudo estava diferente, silencioso, vazio. Entendeu o que tinha acontecido e começou a chorar devagarinho. Estavam separados, era o destino, aquele que julgava não existir.
- E ele não existe mesmo. - ouviu dizerem atrás de si.
Um homem alto, de rosto sereno, vestes claras, a fitava pacientemente.
- Ele não existe. O que existe é o tempo. Você tem o tempo e suas escolhas, essas sim, que determinam quais as próximas opções a escolher. Foi lhe dada a opção de ir agora ou depois. Você escolheu ir agora. Foi lhe dado um tempo, que você reclamou ser pouco, entao lhe demos mais tempo, que você tentou prorrogar, mas ele não pode ser prorrogado indefinidamente, e você montou um plano, que poderia seguir ou não. E essa escolha teve suas consequências. Acabou o tempo e você voltou para casa. Esta é sua casa agora.
- Mas ele esta sozinho. - lamentou olhando para a janela. - Eu não poderia tê-lo deixado sozinho... Não é justo.
- E o que é justo? Pode saber se só enxerga aquilo que está diante do seu nariz? Suba na mais alta montanha e o que verá? Verá seu pequeno mundo se distanciando de si e muito mais além dele. Quando estiver no mais alto ponto do Universo poderá dizer o que é justo ou não. Agora só pode dizer o que lhe agrada ou não, ou que lhe parece justo ou não. Nada além. Agora venha, descanse, há muito o que fazer antes de decidir os próximos passos.
- Que passos? Não acabou tudo para mim?
- Claro que não. Acabou apenas uma etapa. Começa outra agora, para você e para ele. Quando chegara hora, poderá escolher voltar ou não, se isso for útil, possivel ou necessário.
- Nos veremos de novo?
- Talvez sim, talvez não. Essa resposta não cabe a mim dar agora. A decisão não é minha, nem sua, nem dele. Isso dependerá do que ocorrer no tempo que se seguirá. Deixe-o lidar com a sua partida. Ele irá, no tempo certo, escolher o que fazer, e saberemos. Agora venha. Deixe essa janela triste de fontes vazias e jardins abandonados, há paisagens melhores do outro lado.
Ela olhou uma última vez pela janela e pensou no que vivera até ali. Sentiu todos os sentimentos misturados, como não pensava ser possivel. Havia alegria, surpresa, arrependimento, satisfaçao, muita dor e esperança. Lembrou dele uma última vez e sentiu sua tristeza pela separação. Disse baixinho, para si mesma. "Não desista, fique bem, que então poderei voltar."
- E ele não existe mesmo. - ouviu dizerem atrás de si.
Um homem alto, de rosto sereno, vestes claras, a fitava pacientemente.
- Ele não existe. O que existe é o tempo. Você tem o tempo e suas escolhas, essas sim, que determinam quais as próximas opções a escolher. Foi lhe dada a opção de ir agora ou depois. Você escolheu ir agora. Foi lhe dado um tempo, que você reclamou ser pouco, entao lhe demos mais tempo, que você tentou prorrogar, mas ele não pode ser prorrogado indefinidamente, e você montou um plano, que poderia seguir ou não. E essa escolha teve suas consequências. Acabou o tempo e você voltou para casa. Esta é sua casa agora.
- Mas ele esta sozinho. - lamentou olhando para a janela. - Eu não poderia tê-lo deixado sozinho... Não é justo.
- E o que é justo? Pode saber se só enxerga aquilo que está diante do seu nariz? Suba na mais alta montanha e o que verá? Verá seu pequeno mundo se distanciando de si e muito mais além dele. Quando estiver no mais alto ponto do Universo poderá dizer o que é justo ou não. Agora só pode dizer o que lhe agrada ou não, ou que lhe parece justo ou não. Nada além. Agora venha, descanse, há muito o que fazer antes de decidir os próximos passos.
- Que passos? Não acabou tudo para mim?
- Claro que não. Acabou apenas uma etapa. Começa outra agora, para você e para ele. Quando chegara hora, poderá escolher voltar ou não, se isso for útil, possivel ou necessário.
- Nos veremos de novo?
- Talvez sim, talvez não. Essa resposta não cabe a mim dar agora. A decisão não é minha, nem sua, nem dele. Isso dependerá do que ocorrer no tempo que se seguirá. Deixe-o lidar com a sua partida. Ele irá, no tempo certo, escolher o que fazer, e saberemos. Agora venha. Deixe essa janela triste de fontes vazias e jardins abandonados, há paisagens melhores do outro lado.
Ela olhou uma última vez pela janela e pensou no que vivera até ali. Sentiu todos os sentimentos misturados, como não pensava ser possivel. Havia alegria, surpresa, arrependimento, satisfaçao, muita dor e esperança. Lembrou dele uma última vez e sentiu sua tristeza pela separação. Disse baixinho, para si mesma. "Não desista, fique bem, que então poderei voltar."
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