quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nenhum assunto específico

Outro dia eu cheguei em casa e a TV da sala estava ligada na novela. Sentei e assisti a algumas cenas. Uma mulher conversava com um cara que tinha convidado para sair. Ele não apenas não quis como ainda jogou na cara dela que não sairia com uma mulher como ela. Do ponto de vista dele, ela era fútil, assanhada, saía com qualquer um. Espinafrou a coitada. Na cena seguinte ela conversava com outro cara que deduzi ser o filho dela. Segundo ele, depois que ela ficou viúva, ela passou a sair muito.

Do ponto de vista dela, era apenas uma busca por companhia. Era carência. Ela não queria passar a vida sozinha e tomava a iniciativa porque, pombas, estamos no século XXI! Porque uma mulher não pode tomar a iniciativa e procurar companhia? O filho disse para ela que os homens não veem isso com bons olhos. Ponto de vista. Mas precisa ser revisto, não? Porque eles podem tomar a iniciativa e nós somos obrigadas a ficar esperando senão não somos... femininas?

Para pedir ou renovar o visto norte americano, aquele monte de formulários, questionários, requisitos, taxas, formalidades. Aquela fila na porta do consulado, com funcionários que parecem treinados para serem mau humorados (ou então faz parte dos requisitos para contratarem), com a exceção de uma funcionária que foi muito simpática (não quero ser injusta), tudo isso faz qualquer um se sentir um ser humano de segunda classe. Podem dizer que estão controlando a entrada no seu território. Sendo soberanos podem negar a entrada. Justo? Sob certo ponto de vista, sim. Mas nesse controle, acabam por revelar um enorme preconceito. Ok, não serei injusta, não são apenas eles. Na Europa, mulher brasileira seria sinônimo de puta, ouvi dizer. Preconceito. O ponto de vista do "dono do território" extrapola alguns limites de civilidade. Esse é o meu ponto de vista.

Em alguma crise é preciso manter a calma. Isso é necessário. Do ponto de vista estratégico, visando a solução do problema, e não a perpetuação dele, é essencial ser frio e racional. Gerenciamento de crises, isso se chama. Do ponto de vista de quem está na crise, isso é praticamente impossível. Ou não. Se a pessoa se treinar, ela consegue. Ou não, dirão outros. E se a pessoa nada pode fazer para solucionar o problema, por exemplo, por estar em outra cidade? Ah... vá tentar manter a calma com a impotência lhe atando os passos.

Muda a perspectiva, muda tudo.

Vagaram dois bancos no ônibus. Uma senhora sentou em um e uma moça em outra. Um menino fez que ia levantar para sentar com a senhora. Talvez fosse a avó dele. A moça perguntou para o menino se ele queria sentar e cedeu o banco. Recebeu a gentileza de volta de outra pessoa. A mulher disse algo como o mundo é uma troca de gentilezas. Certa ela. O bem atrai o bem, e se paga com o bem. O mal? Segundo o mestre, deve ser retribuido com o bem. Ponto de vista? Se retribuir com o mal, o mal perpetua. Sabedoria. Mas, passividade só faz o mal perpetuar.

Hum... manso e pacífico não quer dizer tonto. Ou seria esse apenas meu ponto de vista?

Um comentário:

Paula disse...

A Marcela tava me contando, que na Alemanha, quem tem marca de bikini é prostituta, então as alemãs fazem top less...depois brasileira que é galinha?
E se esse negócio de "dar a outra face" toda hora fosse bom, não haveria tanta aula de defesa pessoal por aí,rs...