sábado, 21 de novembro de 2009

Textos esdrúxulos de idéias esquisitas que nunca deveriam ter saído da gaveta - parte 1

Hoje vamos inaugurar uma nova série de escritos no blog. Os "textos esdrúxulos de idéias esquisitas que nunca deveriam ter saído da gaveta." Aquelas coisas mofadas, inacabadas, escritas sabe-se-lá-porquê, sem muita originalidade, chavões, projetos incompletos que são agora resgatados e publicados, reformados ou não. Assim, não estranhem se as histórias não tiverem fim.

O primeiro texto resgatado que coloco aqui tem um nome em inglês. Uma espécie de seriado maluco que passou pela minha cabeça. Talvez reescrevendo mentalmente alguns filmes e seriados e livros tenha surgido essa maluquice. Meio nerd em alguns pontos... Se alguém quiser filmar, fale comigo. Tem até trilha sonora pronta!

Bem, chega de falação. Vamos ao texto.

ENDLESS JORNEY

CAPÍTULO 1


Sexta-feira, 24 de maio de 2002. Já era tarde quando Gabriel deixou a sala de pesquisas. Passara horas arrumando a bagunça que os estudantes haviam feito no laboratório de Física. Era seu primeiro ano como assistente do professor titular, mas já havia trabalhado como monitor enquanto ainda estava na faculdade. Andava devagar nos corredores já apagados, enquanto os últimos funcionários fechavam as portas da faculdade. Foi até o estacionamento e entrou no seu carro. Não importava que era de um modelo ultrapassado, pequeno, e cheio de defeitinhos para arrumar. Era seu.

Mal havia colocado a chave no contato, viu seu orientador do Mestrado sair incógnito da porta dos fundos. Pensou em chamá-lo, mas teve a sensação de que ele não queria ser percebido, então esperou com os faróis apagados o professor trancar a porta e sair da vista. Mas o Dr. Ivan derrubou sua pasta e vários papéis se espalharam pelo chão. Quando ele se abaixou para pegá-los, viu que Gabriel espiava imóvel dentro de seu carro, e lhe fez um sinal. Ao ser descoberto, Gabriel achou por bem ajudá-lo e saiu do carro em direção a seu professor. Mas quando abaixou para recolher os papéis, Dr. Ivan disparou a falar em uma velocidade admirável até mesmo para um radialista. Gabriel não conseguia compreender o sentido daquilo tudo, além de achar aquela situação muito bizarra. Em meio às frases aparentemente sem sentido as palavras “invenção”, “segredo” e “perigo” eram as que se sobressaíam.

— Desculpe, professor, mas não consigo entender o que o senhor está querendo dizer com isso. — interrompeu.

— Você é um excelente aluno e sei que posso confiar, na verdade eu não sei mas seu espero... Estou cansado demais para continuar com isso, estou ficando doente e se não contar isso para ninguém vou acabar enlouquecendo também. Bom tê-lo encontrado agora, em outro momento não teria coragem. Vou deixar essas coisas com você... mas é segredo absoluto. Eu disse absoluto.

Largou sua pasta com Gabriel foi embora sem maiores explicações.

***

— Prontos? Combate.

Os esgrimistas aguardavam apenas o comando de Mariana para iniciar mais um combate. Daniela atacou seu irmão Renato a toda velocidade, mas ele era ágil e, com um salto para traz deixou sua irmã no vazio, conseguindo ganhar o contra-ataque no braço.

— Ponto direita. Catorze a sete. Prontos?

Daniela começou a reclamar e não voltou para seu lugar na pista. Levantou a máscara e olhou ameaçadora para seu irmão. Mariana estava cheia desses ataques de raiva e mandou-a para seu lugar.

— Em guarda, Daniela. Prontos? Combate.

Desta vez ela recuou chamando seu irmão para o ataque e forçando terminá-lo, quando fez quinta defesa e atacou em quarta, mas ele se defendeu do golpe e conseguiu acertá-la no ombro direito.

— Defesa, resposta, contra-resposta. Ponto direta, Quinze a sete.

Daniela tirou a máscara, desligou o fio que prendia seu colete ao marcador, saiu pisando duro e atirou seu sabre na sua mala. Não suportava perder para seu irmão, por algum motivo oculto da psicologia humana, levava a competição fraternal até as últimas conseqüências. Renato não deu importância ao chilique de sua irmã e perguntou quem seria o próximo.

— Eu vou. — respondeu Mariana.— Só não sei quem vai arbitrar.

— Rodrigo! — gritou Renato. — Arbitra aqui pra nós?

— Eu não! Vai lá, Lu.

— Eu? Por que eu? Não gosto nem sei fazer isso direito.

— Só um Lu, eu te ajudo. — falou Rodrigo.

— Então por que não arbitra de uma vez?

— Estou com preguiça... Você fala e eu te ajudo a marcar os pontos.

Luciana se resignou e foi arbitrar o jogo, que acabou em quinze a treze para Renato. O treinador assistia os combates e foi conversava com os alunos, dando dicas. Aquele foi o último jogo do dia. Enquanto guardavam o equipamento contavam piadas e combinavam o churrasco do dia seguinte na casa de Luíza.

Mariana se despediu de seus amigos em frente à academia de esgrima e foi até seu carro, quando tocou o celular. Havia esquecido de deixá-lo à mão e teve de abrir sua mochila na calçada, deixando o equipamento apoiado no carro até encontrar o aparelho. Atendeu apressada depois de muitos toques. Era Gabriel.

— Tá livre hoje?

— Não tenho nada marcado. Por quê?

— Aluguei a trilogia de Guerra nas Estrelas e vou fazer umas pizzas. Vem jantar aqui e traga algo pra beber.

— Tá. Estou aí às seis, tudo bem?

— Dá pra chegar mais cedo?

— Difícil... ainda tenho que pegar um carro. Sempre me avisam essas coisas na última hora. E não tem sábado nem domingo, nem feriado..

— Tá, tá. Depois você conta! A ligação vai ficar cara.

Desligou o celular, guardou o material no porta-malas, entrou no carro, colocou o rádio no lugar, escolheu um CD, e só então ligou o carro. Vinte minutos depois chegava em casa. Buzinou e seu pai veio abrir o portão. Assim que saiu do carro foi brincar com o cachorro, um pastor alemão chamado Aquiles.

Depois do banho almoçou com seu pai, ele era viúvo e criara Mariana praticamente sozinho. Trabalhou a vida inteira com carros e acabou passando para ela seu gosto por motores. Foi por isso que ela resolveu estudar engenharia mecânica, e fez estágio na Ford durante a faculdade. Mas depois que se formou arrumou um emprego como jornalista, em uma revista especializada em automóveis. Depois do almoço foi até a redação e passou boa parte da tarde lá.

***

O elevador demorava para chegar ao térreo, e Eduardo equilibrava diversos pacotes com as compras do mês, calculando mentalmente o quanto havia sobrado do pouco que ganhava como médico-residente. O fato de dividir o apartamento com mais dois amigos ajudava muito, mas mesmo assim não podia se permitir certos luxos, pois seus pais quase não ajudavam financeiramente. Já era formado e ainda tinha mais dois irmãos que ainda estavam na faculdade, e as despesas não eram poucas, pois além de ter de mantê-los em São Paulo, ainda tinham de pagar a faculdade, já que nenhum dos dois conseguiu entrar em uma faculdade pública. Ele era o único da família que havia conseguido.

No fundo sentia-se sufocado demais na casa dele, agradecendo ter de ir para a Capital, sem as cobranças que seus pais faziam. Era o mais velho e parecia ser o único responsável. Seus irmãos não se esforçavam tanto quanto ele e achava que não eram tão exigidos também. Claro que eles não pensavam da mesma forma, e detestavam quando eram comparados a Eduardo, o correto, o inteligente, o bom... Apesar disso se davam bem e era sincero o amor entre eles.

Abriu a porta do elevador com alguma dificuldade e quase derrubou o pacote de café quando apertou o botão do oitavo andar. Encontrou a porta do apartamento destrancada e entrou reclamando. Gabriel apareceu e disse que destrancou quando o viu entrando no prédio.

— Aluguei uns filmes e chamei a Mariana para vir aqui.

— E a prima dela?

— Liguei lá mas ninguém atendeu, e o celular estava na caixa postal. Não pedi para ela chamá-la por que sei que ela não ia nem tentar. Você sabe como ela implica com a Larissa.

— Pena... — suspirou Eduardo. Ele estava de olho na prima da Mariana desde que ele a conhecera no aniversário do Marcelo, dois meses atrás.

— Ainda dá tempo de tentar falar com ela. Porque você não liga?

— Vou fazer isso. — disse ao deixar as compras em cima da mesa da cozinha.

Assim que Eduardo foi até a sala para telefonar, Gabriel fechou-se no quarto tentando decifrar as anotações confusas de seu professor. Além de estar tudo escrito à mão, com uma letra quase ilegível, haviam saído da ordem ao caírem na noite anterior.

***

Às seis e quinze Mariana tocou a campainha do apartamento dos seus amigos, trazendo refrigerante e cerveja. Gabriel abriu a porta:

— Tá atrasada.

— Não deu pra chegar antes, tive de resolver umas coisas e passar no mercado. Estou com trabalho acumulado, sabia?

— Pra que cerveja? Eu não bebo cerveja.

— Você não, mas a Carol e o Marcelo bebem. — respondeu ao entrar na cozinha.

Assim que ouviu a voz de Mariana, Marcelo apareceu na cozinha com os cabelos e a cara amassados. Disse “oi” bocejando e foi para a sala, esparramando-se no sofá.

— A Carol não vem mais. — informou Gabriel.

— Por quê?

— Tem de ajudar a irmã a fazer não-sei-o-quê.

— Muito esclarecedor.

Guardaram as bebidas na geladeira e Mariana foi chamar Eduardo. Ele estava no quarto dedilhando o baixo e resmungando consigo mesmo por não ter conseguido falar com a Larissa, mas não comentou o assunto. Foram para a sala colocar o primeiro filme no vídeo enquanto Gabriel colocava as pizzas no forno. Sentaram-se na sala, disputando as almofadas.

***

Alguns tempo depois Gabriel foi buscar as pizzas e eles estenderam uma toalha como em um piquenique, foi então que chegou Carla, a namorada do Marcelo. Ao final do segundo filme, Eduardo dormia em um sofá e Marcelo em outro, no colo de Carla. Mariana riu:

— O que acontece com esses dois?

— Trabalharam hoje. O Marcelo ficou até de madrugada estudando um processo e hoje de manhã foi no escritório. O Edu fez plantão.

— Querem ver o terceiro filme?

Carla levantou-se para colocar o terceiro filme e Marcelo acabou acordando. Sacudiram Eduardo, mas ele apenas se virou, sem dar sinais de que iria assistir o filme. Depois de dois filmes não prestaram muita atenção ao terceiro, mesmo porque todos já o tinham visto mais de uma vez. Conversavam, contavam piadas e passavam em câmera lenta algumas cenas, comentando como teriam sido feitas.

Já era tarde quando Mariana foi embora e Marcelo levou sua namorada para casa (ela tinha vindo de metrô). Quando todos se levantaram Eduardo cambaleou até sua cama.

***

No domingo, Gabriel almoçou com sua namorada, Carolina, e Eduardo conseguiu falar com Larissa. Combinou de se encontrar com ela à tarde em um bar numa travessa da Paulista, ao lado do Gemini. Assim que Gabriel e Carol chegaram do almoço, ele apareceu na sala perguntando se estava bem. Vestia uma malha verde e uma calça jeans escura. Não tinha motivos para se preocupar com sua aparência, era definitivamente, muito bonito. Alto, magro, mas forte, tinha os cabelos escuros, pretos, que caíam displicentemente no rosto. Os olhos eram claros, quase azuis, dificilmente passava desapercebido pelas mulheres. Após a resposta afirmativa, saiu.

Chegou no bar na hora marcada, mas não precisou esperar muito porque, ao contrário de sua prima, Larissa era pontual. Não era essa a única diferença entre as duas. Larissa era apenas um ano mais nova que Mariana, um pouco mais alta, mais magra, mais bonita e extrovertida, de forma que as pessoas a achavam mais simpática. Esse era o motivo da implicância que Mariana nutria pela prima. Ao lado de Eduardo, formavam um belo par, mas apesar das tentativas dele, essa era a primeira vez que conseguia sair sozinho com ela.

***

Mariana estava no churrasco com seus amigos da esgrima. Ajudou a acender a churrasqueira, mas não quis se responsabilizar pela carne. Estava frio apesar do sol, e lamentavam não poder usar a piscina. Aproveitaram para jogar pingue-pongue e sinuca.

— Alguém já viu o hotel pro campeonato no Rio?

— Vamos no mesmo do ano passado. Ao menos era barato.

— Ai... lá vai a bolinha para a piscina de novo...

— Ô Mari! Não bate com força! De levinho, de levinho...

— A Daniela não vem?

— Acho que não. Ainda bem, ela é muito mal humorada.

— Achei que ela fosse matar o Renato depois do jogo.

— Não se pode ser tão competitiva assim. Ela fica muito violenta quando joga com ele.

— Não é só com o irmão. Você não viu o roxo que ela deixou no braço do Rodrigo?

A mãe de Luíza chegou com uma bandeja de doces mineiros.

— Ai, ai, lá se vai meu regime... — falou Carlos.

— Até parece que você precisa! Eu é que preciso emagrecer... – resmungou Mariana.

— Você está bem assim, não reclame de barriga cheia.

— Exatamente, está cheia.

***

Quando Eduardo voltou de seu encontro, Carolina já tinha ido embora e ele encontrou Marcelo na cozinha, relendo a estratégia de defesa do Júri que faria na sexta-feira, enquanto comia um pedaço de pizza do dia anterior, fria.

— Cadê o Gabriel?

— Trancado no quarto. Desde que a Carol foi embora que se fechou lá.

***

A segunda-feira passou sem novidades, apenas uma estranha mudança de comportamento era notada por seus amigos em Gabriel, que, estando no apartamento, estava trancado no quarto. Lia as anotações de seu professor e elas começavam a fazer algum sentido. Na terça-feira, a primeira coisa que fez ao chegar na universidade foi procurar Dr. Ivan.

Percorreu todas as salas do prédio da física, sem sucesso. Foi diversas vezes até a sala dele e não viu nem sombra do professor. Depois de muito tempo, chegou a secretária do departamento e informou que ele havia viajado às pressas para o exterior, pedindo que lhe entregasse algumas coisas. Pegou, então, uma pasta e a chave do armário.

Gabriel foi até a sala dele, abriu o armário e achou um envelope grande com seu nome escrito. Havia uma carta com algumas instruções e um diário. Também encontrou um mapa e outra chave.

Guardou tudo e foi dar as aulas designadas para aquele dia. Estava perto da época de provas e os alunos haviam pedido um aula extra para tirar as dúvidas da matéria. Definitivamente, não estava com a menor vontade de tirar dúvidas se ele mesmo tinha tantas...

Chegou em casa e novamente se trancou no quarto, com as anotações, a carta, o mapa, a chave e o diário de seu professor.

***

Mariana acabava de chegar na redação na quarta-feira quando a secretária passou o telefone para ela.

— É uma tal de Carolina.

Pegou o telefone sem entender o que a faria ligar tão cedo e para seu trabalho.

— Mari?

— Sou eu. Tudo bem com você? — perguntou Mariana, ligando o computador.

— Tem visto o Gabriel?

— A última vez que falei com ele foi no sábado, por quê?

— Ele está muito estranho... Fica o tempo todo fechado no quarto, não presta atenção em nada que eu falo. Passa o tempo todo pensando, e está agitado também. Anda de um lado para o outro, não consegue ficar sentado em uma cadeira...

— Não sei o que é, Carol. Vi que ele estava meio pensativo no sábado, mas não desse jeito que você me falou. Não sei de nada.

— Você conhece ele há tanto tempo... Tente descobrir alguma coisa. Quem sabe ele te conta.

— Tá bom, eu ligo pra ele de noite. — desligou o telefone e voltou ao trabalho.

Mariana chegou em casa e esquentou o jantar. Seu pai via televisão na sala. Pegou o prato e subiu para o quarto. Tocaram a campainha e seu pai foi abrir. Era Edu que, perguntando por Mariana, subiu as escadas seguido por Aquiles.

A casa deles era inicialmente térrea. Tinha uma garagem grande, quintal pequeno, cozinha, sala, banheiro e dois quartos. Quando Mariana estava no colegial, seu pai construiu uma suíte no andar se cima, de forma que ela não podia reclamar de espaço ou privacidade. Eduardo bateu de leve na porta e entrou ao ouvir resposta afirmativa. Ela estava sentada em frente ao computador enquanto comia. Na parede havia diversos pôsteres de carros e uma estante com CDs de Heavy Metal e porta-retratos com fotos de seus pais, campeonatos de esgrima, aulas de artes marciais e do cachorro. Vários livros de todos os assuntos se empilhavam nas prateleiras ao lado do computador. Levantou-se, cumprimentou-o, disse que se sentasse e perguntou o motivo da visita.

— Você não tem visto o Gabriel, tem?

— Não... porquê? — indagou desconfiada.

— Ele anda estranho... Fica o tempo todo trancado naquele quarto, está agitado, tem alguma coisa acontecendo... alguma coisa séria. Como vocês se conhecem desde o colégio, são tão amigos, achei que ele tinha te falado alguma coisa...

— Não falei com ele esses dias. A coisa deve estar feia. Hoje a Carol me ligou dizendo a mesmíssima coisa.

— E...

— Disse que falava com ele hoje. Está bem, eu ligo, mas não vou falar que vocês me procuraram.

Pegou o telefone e ligou. Marcelo atendeu e chamou Gabriel, que demorou para responder. Conversaram, ela perguntava, sondava, mas não conseguia arrancar nada dele. Sem sucesso, desligou e ficou conversando com Eduardo. Não ficou muito contente ao saber que ele tinha saído com a prima dela. Preferia que ele tivesse se interessado por Vanessa, uma antiga amiga sua.

***

Na quinta-feira, Gabriel não tinha nenhuma aula para dar no período noturno, então continuou a estudar as anotações de Dr. Ivan. Quando começou a entender o que ele estava buscando com todos aqueles cálculos e qual teoria desenvolvia, achou que era uma piada, uma brincadeira, depois, que ele estava ficando completamente maluco. Mas as teorias começaram a fazer sentido e ele se interessou por elas, mas não imaginava que o Dr. Ivan havia chegado tão longe. Conforme lia seu diário, mais espantado ficava. Não sabia se estava lidando com idéias de um gênio ou de um louco. Não acreditava no que lia. Quase desistiu de continuar com aquilo. Mas alguma coisa fazia com que ele voltasse àqueles papéis.

Cansado, foi até a cozinha fazer seu jantar. Eram sete e meia da noite quando Eduardo chegou. Ao encontrá-lo na cozinha, tentou conversar com ele, mas sequer conseguiu a atenção de seu amigo. Foi para o seu quarto guardar suas coisas e viu que Gabriel não tinha fechado a porta do quarto dele e deixara vários papéis espalhado. Sem conter sua curiosidade, entrou. Sobre a mesa, estava o diário aberto.

— Mas o que é isso?

— Não mexa nisso! — Gabriel apareceu de repente.

— É por isso que você está tão estranho! Mas que piada é essa?

— Não é piada. Deixe esse diário aí!!!

Começaram a discutir.

***

Intrigada com o comportamento estranho de seu amigo, Mariana resolveu passar na casa dele antes de ir para a sua. “Ele não entendeu uma piada!” – pensava ela. – “Se ele não entendeu uma piada é por que tem alguma coisa grave consumindo todo seu cérebro. Isso não é normal e estou começando a ficar preocupada.” Desceu do elevador e, quando foi tocar a campainha, percebeu que a porta estava destrancada.

“ Isso vai mal... vão acabar sendo assaltados” – Pensou ao entrar. Ouviu vozes vindo do quarto de Gabriel e notou que estavam discutindo. “ Acho que cheguei na pior hora... ou será que não?” ­– pensou. Parou na porta do quarto.

— Alguém pode me dizer o que está acontecendo?

Viraram-se ambos. Gabriel então suspirou fundo e sentou-se na cama dizendo:

— Acho que não dá pra esconder nada de vocês dois.

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