quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Réplica

Rompo meu silêncio
Tive a voz sufocada e a inspiração rouca
Tive a poesia... muda

Então o poeta questiona-me
Vejo meu nome nas suas palavras
e não mais posso calar-me

O poeta me observa...
Curioso, quer descobrir o mistério
Escondido, ou não, em meus pensamentos

Em meu silêncio

Mas nada direi
Nada direi sobre o que aflige o poeta:
meus devaneios não importam

Importa, sim, a vida
O tempo, o Eterno, o Perfeito
Importa a dádiva de ser

Tão mais importante que meros devaneios
É a Justiça, a Verdade
É a miséria humana, que alimentamos

Do resto, caro poeta, nada direi
Prefiro que busque sozinho as respostas:
Decifra-me, poeta, ou eu te devoro

***
Primeira da série Diálogos, de 1998, escrita ao meu amigo e poeta, Mannus McLeod, no saudoso tempo das arcadas, com assinatura de Michelle (loga história, coisas de acadêmicos)

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