Rompo meu silêncio
Tive a voz sufocada e a inspiração rouca
Tive a poesia... muda
Então o poeta questiona-me
Vejo meu nome nas suas palavras
e não mais posso calar-me
O poeta me observa...
Curioso, quer descobrir o mistério
Escondido, ou não, em meus pensamentos
Em meu silêncio
Mas nada direi
Nada direi sobre o que aflige o poeta:
meus devaneios não importam
Importa, sim, a vida
O tempo, o Eterno, o Perfeito
Importa a dádiva de ser
Tão mais importante que meros devaneios
É a Justiça, a Verdade
É a miséria humana, que alimentamos
Do resto, caro poeta, nada direi
Prefiro que busque sozinho as respostas:
Decifra-me, poeta, ou eu te devoro
***
Primeira da série Diálogos, de 1998, escrita ao meu amigo e poeta, Mannus McLeod, no saudoso tempo das arcadas, com assinatura de Michelle (loga história, coisas de acadêmicos)
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