quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Honrarias

Procurei por coisas vãs
Tentei iludir-me com ideologias
Ilusões, fracassos, sonhos
Perdas, iludir-me comigo.

Utopia da compreensão
Longe validade do respeito
Frágeis responsabilidades
Sórdidas barreiras

Tanta impostura trouxe-me
Somente pesares
Sentimentos considerados
Levianos ou infamemente errôneos

Enlutei-me sem mortes
Tão admirável missão
Fui indigna:
Resta saber a verdade

Procurei conservar a paz:
Criei guerras
Tentei fugir de egoísmos:
Encontrei mais

Lutei pela saúde:
Vivi doenças,
Acabei-me em tristeza,
Pranto…

Primei pelo amor, afeto:
Só enxerguei ódio,
Mesquinhez, desastres
Desbriados, repreensões…

Dúvida que persegues
Tudo dúvida!
Calúnia ou verdade?
Sinceridade ausente

Serei tão vil,
Ou estarei delirando,
Alucinando, assumindo
O erro e a culpa?

Ah… nada mais me
Fora dito!
Nada de auxílio,
Nada de cura…

Percebi no ser humano
A loucura,
A vileza do ímpeto animal,
Instinto vulgar do lobo

Percebi nos seres e na vida
Egoísmo estúpido
Demência psíquica,
Injustiça.

***
Escrito em meados de 1995.

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