A esfinge ainda vive!
Renasce mais forte do que nunca
Pois sorte sem ela nenhuma tive...
Mas a mim a esfinge não basta!
Minh'alma atormentada só não vive
Pois a esperança está por demais gasta...
Visto, então, a densa capa da morte
Mas algo dá errado, meu nariz coça...
É sua antigüidade ... Nem assim tenho sorte!
Caminho zonza na direção do inferno
Estou tendo ilusões? Já me decepciono...
Eu vejo! O diabo usa terno!?!
Todo o meu ânimo desaparece
Em nada mais creio, eu lamento
Pois toda a fé que restava estremece...
Volto-me, então, ao anjo, tão desolado
Que experimenta desespero inigualável
Pobre anjo... não foi amado...
Pena... não posso seguir seus conselhos
Já tentei o fazer, nada obtive
A não ser sequências de dias pentelhos
O anjo observo... ele gesticula
Inquieto e infeliz, não pára quieto
Assim como não controlo minha gula
Devo deixá-lo, ele está doente
Fito-o impotente enquanto escreve
E imagino trágica dor que sente...
Mas nada posso fazer, já me atrapalho
Reviver a esfinge é difícil, custoso
Esqueci-me de como sê-la dá trabalho...
E ainda devo sofrer com alergias
Que essa velha veste traz da minha morte
Nada buscava eu... só alegrias
Agora busco um lenço, um descongestionante
Busco ar puro, remédio definitivo,
O alívio que a minha paz garante!
Preocupa-me o anjo que se inquieta
Na beira do abismo, cujo fim não vejo
Chama por mim para ouvir sua meta
Aproximo meus passos para ajuda
Mas minha imagem lhe é por demais ilária
Ri, gargalha, tropeça e vai em queda...
Michelle
Desafio da Esfinge: Por que o diabo usa terno?
***
Mais um texto de minha autoria da série Diálogos, entregue ao meu amigo poeta e colega. Propositalmente escrito nesse tom e sem preocupação com rimas ricas.
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