De quem é esse retrato que guardo no fundo da gaveta?
De que passado é essa lembrança concretizada em formas e cores?
De quem é esse rosto familiar, propositalmente esquecido?
De onde é essa paisagem, essa casa, esse espaço?
De quem é essa vida?
Do que me serve esconder em caixas memórias que não voltam?
Do que me ajuda manter back ups em CDs de imagens pretéritas?
Não seria melhor apagar fotos do hard drive?
Não seria mais proveitoso queimar antigas imagens em registro fotográfico?
Não deveria jogar fora as caixas com as cartas, os objetos, os arquivos?
Que bem poderia vir de tropeços em tempos passados?
De tempos que não quero repetir?
De momentos que não quero rememorar?
Devo deletar minhas memórias?
Devo abrir espaço para novas lembranças?
Devo correr o risco de reviver as paixões, os dramas, o nojo, o desepero...?
A mágoa?
Será hora de enterrar o que me fez hoje o que sou?
Será hora de lacrar os manuscritos?
Será hora de abandonar o medo?
O medo do novo. O medo do presente. O receio do futuro...
Do futuro não ser o sonhei. O que sonho...
É hora!
Meu passado faz parte de mim. Minhas memórias sempre farão parte de mim.
São elas que me explicam.
Mas porque manter seus registros?
O passado não pode invadir o presente.
O passado não pode resussitar e devassar as novas alegrias.
O presente é precioso.
Precioso, para ser maculado com registros de outrora.
Precioso, para ser desonrado
Por retratos.
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