Janelas abertas. O passarinho, um periquito australiano colorido, está fora da gaiola. Vejo as janelas abertas e o pássaro voando baixo, voando alto, fazendo malabarismos no ar. Prendo a respiração. Quem deixou as janelas abertas? Quem abriu a gaiola com as janelas abertas? Ele irá voar pela janela e sumir no mundo! Irá se perder, não conseguirá voltar e, por fim, morrerá, pois não conhece nada além de seu mundinho. Não sabe se alimentar sozinho nem se defender. Quem soltou o passarinho e deixou as janelas abertas?
Devo fechá-las, mas qualquer movimento brusco poderá fazer com que ele voe mais alto, mais rápido, e na direção da janela. Não posso chamar a atenção dele para o mundo que se esconde atrás destas paredes. Paralizo. Quero proteger o pássaro dos perigos que se escondem no mundo. Quero evitar que se machuque. E, mais que isso, não quero ficar sem seu canto, sua alegria, sua companhia. Quero cuidar dele.
Ele voa em direção da janela aberta, corro. Páro a poucos centímetros da vidraça para fechá-la e hesito. Ele dá meia volta e voa para dentro novamente. Não sai. Não vai embora. Estará com medo do que poderá encontrar à sua frente? Quer ficar? Ou apenas estará acostumado a encontrar ali uma barreira e por isso não ousa tentar transpô-la?
Não importa. Ele vôa de volta e eu fecho as janelas. Pousa em cima de sua gaiola e anda sobre ela. Aguardo. Silêncio. A gaiola está aberta. Ele explora seu exterior. Sozinho, ele entra. Sem que ninguém lhe diga nada, ele entra. Procura alimento? Abrigo? Segurança?
Não fecho a gaiola.
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