Eis o poeta. O imortal que observa a poetisa, descrevendo-a de forma, no mínimo, interessante. Pede que quebre seu silêncio. Este é, então, rompido. Mas em nada esclarece as preocupações de seu colega imortal. E lhe lança um desafio. Perante tal provocação o poeta recua. E a poetisa se transforma em esfinge. Suas palavras alcançam dimensão assustadora. Ecoam na mente do poeta: "Decifra-me ou te devoro!"
Se soubessem, mortais,
O quanto a vida é plena, encantada,
Saberiam viver o amor, a poesia,
Mas preferem sacrificar-se na mediocridade...
Apesar de toda a tentação que oferece o desafio, teima o poeta em calar-se. Nenhuma resposta é possível. E "a resposta que se quer dar não pode ser dada." E prefere sofrer à frialdade da chama que buscar saídas para seu dilema. E prefere sofrer as consequências à responder ao desafio...
Não entendem a própria fraqueza
Perdendo-se diariamente na miséria;
Ignorando qualquer brilho da Verdade;
Falsificando a verdadeira face da Justiça!
Amigo imortal, não se torture tanto! Pois o reinado do breve não teve mais efeitos que o do grande. Pois não guarda em si tanto contraditório, esmagado pela realidade e o desejo. Não guarda em si tanta dúvida, que perde real dimensão do mundo e da nossa sociedade. Mas sobre isso não direi palavra!
E hoje junto-me aos mortais...
Buscando quebrar todo o passado,
Rompendo-me e Corrompendo-me
Feri mais que memórias e minha dignidade!
E aviso, imortal, o tempo se esgota...
Por um instante irreversível tornei-me Vil,
Aceitando tudo o que repudiava...
Corrompi-me para romper-me!
E hoje... agarro a nostalgia da inocência.
O tempo... se esgota!
Texto entregue ao meu amigo poeta Mannus MacLeod, como parte de nossos diálogos. Publicado no spaces em setembro de 2008.
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