quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Morte

Há muito minh’alma já não chora
Há muito anestesio-me da aspereza dos homens
Inquieto-me em silêncio na secreta tormenta
Corrói-me ácida ironia da razão
Despreza-me morbidez deste viver…

Há muito clamo pelo triunfo da sensatez
Não posso tolerar minha vontade
Não posso permitir viver meu desejo

Caminho atraída que sou por abismos
Por que são tão fortemente irresistíveis?
Por que seu fascínio é tanto quanto o do amor?
Aquele que não começa
Aquilo que nunca termina…

Mas o amor- amar ou ser amada- só não basta
Rogar por paz é receber dúvidas
Há muito não sei o que é alívio

Teus sonhos invade alguma fria chama
Cujo amor- simples e leve- queres como suficiente
Mas nunca existe certeza, mesmo mínima
É sempre a tempestade do antagonismo
Que aterroriza, amedronta e domina!

Apenas me resta alguma morte
Já sinto… Hades observa-me!
E a ele devo obedecer

Persigo- em vão- espécie de Lux Aeterna
Fez assim Ícaro em seu vôo mortal
Querendo alcançar o Sol- Apolo cruel
Que com seu inimaginável brilho e calor
Destrói

É hora da única escolha possível
Obedecer a Morte- destruir!
E carrasca sou agora de meus santos


Texto original, entregue ao meu amigo poeta Mannus MacLeod em nossos diálogos, nos saudoso tempo das Arcadas. Publicado no spaces em setembro de 2008.

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