quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O que a mente não compreende

Não raro o vernáculo fracassa ao tentar expressar a essência dos atos, fatos e do sentir, guardando suficiente verossimilhança com a realidade da alma. Não raro socorrer-se de expressões e vocábulos estrangeiros guarda a mesma ineficiência. Nem imagens, nem metáforas, nem música são hábeis para se fazer compreender aquilo que corre no mais íntimo da existência.

Se a poesia, a prosa e a arte são inócuas, porque permanecer na busca vã de criar definições para o indefinível?

As palavras não definem o que a mente não compreende.

Nenhum efeito surtiram todas as desesperadas tentativas de traduzir os fatos. E efeito algum irão surtir, pois não se faz um cego ver com os olhos do corpo, ou um surdo ouvir com os ouvidos da matéria. Urge elevar o grito desesperado do mudo para além de suas cordas vocais debilitadas. Urge transcender o inútil linguajar dos homens para além da razão mundana.

Nem o mais genial pintor poderá traduzir em seus traços o que ele próprio não consegue visualizar.

As imagens não projetam o que a mente desconhece.

Há que se transpor os duros limites da matéria, demolir as cortinas da ignorância. Há que se abstrair as amarras da perspectiva. Somente assim se absorverá por completo o âmago do incompreensível.

*Escrito e postado em setembro de 2008

Nenhum comentário: