sexta-feira, 18 de setembro de 2009

RaPiDinHaS

Mania de falarmos coisas como “esse cachorro é ruim”, “esse coelho é bonzinho”… Outro dia, assistindo Animal Planet (novo vício), vi uma filmagem das baleias orca caçando uma foca. Cercaram a coitadinha, que estava deitada em uma placa de gelo, e iam fazendo ondas para a foca cair em movimentos coordenados, e sob as ordens da “matriarca” das baleias. Quando finalmente conseguiram derrubar a foca, colocaram ela de volta no gelo e duas baleias filhote que assistiam foram fazer as ondas para derrubar e, finalmente, comeram a foca. Além de sentir empatia pela infeliz da foca que virou almoço, fiquei impressionada com a estratégia, coordenação e método de caça e ensino das baleias. Sim, além de buscarem a comida, estavam ensinando os filhotes a caçar. Foi só comentar em casa que ouvi “não gosto mais de baleias, elas torturaram a foquinha.” E o ser humano? As baleias fazem isso para sobreviver, elas não desenvolveram o raciocínio abstrato de senso moral. Não fazem julgamentos valorativos. Animais tem instinto, uma inteligência primitiva e sentimentos em estágio embrionário, mas não senso moral! Se for assim, prefiro os animais. Os serem humanos fazem coisas infinitamente mais asquerosas e cruéis e, pior, com toda a sua “racionalidade” e “inteligência” e, pior ainda, com uma frieza e sadismo… Não, os animais não são ruins. São só animais. Quem tem condições de fazer um julgamento moral e uma escolha com base em juízo de valores e um código de ética é justamente o animal racional que faz mais barbaridades na natureza.

Descobriram a pólvora. Duas chamadas. Uma revista de filosofia destaca que o problema não é o sistema econômico, mas as relações sociais. Óh! Nós que criamos o sistema econômico, o sistema político… Se fizemos isso que está aí, a culpa é do ser humano que não foi capaz de criar nada melhor. E reduzir impostos é melhor até mesmo para a arrecadação. Será que um sistema mais simplificado, com impostos mais baixos, e com menos impostos, incentiva o crescimento da economia e, uau, desincoraja a sonegação mais do que punições que nem sempre serão aplicadas? Descobriram a pólvora!
E descobriram o fogo também. O sistema prisional está falido e não recupera ninguém. Melhor deixar a prisão para os casos mais graves, e aumentar a aplicação das penas alternativas, que tem maior potencial reeducador. Foram preciso anos, muitos anos, de estudos e estatísticas para se constatar o óbvio, não? Mas o senso do comum quer punir, quer cadeia. Quem pára (ops, para, a reforma ortográfica aboliu esse acento) para refletir sobre isso adequadamente exceto os incompreendidos criminalistas? “Mais vale a certeza da punição do que a severidade com que se castiga.” Não sou a autora dessa frase, ele está lá no século XVIII, mas continua atual.
E lá vamos nós. A reforma ortográfica, segundo os especialistas, alterou um pequeno número de palavras. Pequeno? Talvez, se pensarmos em todas as palavras da língua portuguesa. Mas muito significativo, posto que palavras largamente utilizadas. Ainda não absorvi todas as regras. Na verdade, não estou fazendo nenhum esforço para isso. Não me anima a idéia de escrever idéia sem acento. Ideia. Muito esquisito. E vou resistir até quando for possível resistir. Sacanagem. Fiz toda a faculdade com o Código Civil de 1916, lógico que interpretado pela Constituição de 1988, que não havia recepcionado tudo, especialmente o vetusto direito de família. E foi terminar a faculdade, tirar a OAB que… puf… mudaram o Código. E agora, a ortografia.
Fazia tempo que eu não escrevia essa palavra: vetusto.


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14 de maio de 2009.

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