sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Descartáveis

Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que o mundo mudou radicalmente nos último século.

Das grandes alterações provocadas pela revolução industrial, revolução russa e guerras mundiais, algumas representam um progresso imensurável, outras um desafio. Mas com a velocidade que as mudanças ocorrem, a velocidade com que as informações circulam, o ser humano não reflete sobre a própria existência, e passou a sentir uma carga de obrigações, expectativas, cobranças, metas inalcançáveis.

Sem reflexão, e com os paradoxos se acumulando na sociedade de consumo, tudo se torna descartável.

Especialmente os próprios seres humanos.

Muito mais fácil recuar e desistir do que aprender a se relacionar e a construir amizades e amores duradouros.

Muito mais fácil fugir no primeiro questionamento, sucumbir à primeira dificuldade, desistir na primeira dúvida... E recomeçar tudo de novo até que surgir o primeiro medo, do que se esforçar, olhar para si mesmo.

Encarar a própria vida e limitações.

Isso dá medo. Chegamos ao ponto em que a estabilidade dá medo. E as amizades virtuais, onde não há contato físico, diário, fáceis, escondidas sob o anominato da informática estão crescendo. Não exigem grande esforço nem renúncia.

E as relações entre homens e mulheres, o amor, está cada vez mais difícil. Ao conquistarmos nosso lugar como seres humanos, e não seres servis, reprodutoras, os homens se perderam.

Medo de ser companheiro, medo de dividir... É medo de não corresponder, de encarar as novas mulheres que estão surgindo. Essas que buscam ser independentes, inteligentes e que só querem apenas e tão somente compartilhar carinho e amor. Não conseguem lidar com essas novas mulheres que recusam permanecer com problemas como dependência afetiva e financeira, buscando todos os meios de superar isso. O pavor surge quando não compreendem quanto nossa única exigência é a partilha de um sentimento.

E nós, também erramos.

Estamos todos doentes.

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02 de setembro de 2009

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