terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quando as janelas fecham...

Quando são fechadas as janelas
latem os cães em desarmonia
cai a sombra, sobe o vento,
integra-se à noite fria

Quando são as janelas fechadas,
vê-se o breu interior
entrega-se ao sono profundo
não se admira o amanhecer

As janelas quando fechadas são
nada entra, nada sai
isola-se do urbano, do distinto
nada além do que se sabe

Quando janelas se fecham,
o externo fica distante
o mundo: mistério incógnito
a vida estranha ao todo

Fecham-se as janelas:
nada conheço, nada me conhece
o mundo não me tem
e eu, nada possuo...

Publicado na revista oficial da Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no saudoso tempo das Arcadas. E, depois publicado no antigo blog em setembro de 2008.

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