Posso começar com uma pergunta, pois é a mais pertinente das perguntas: O que está acontecendo com o mundo?
Que a humanidade tem feito coisas terríveis desde os primórdios da civilização ninguém discute. Que a humanidade tem destruído a sua própria casa irracionalmente é um fato. Que a humanidade tem compulsivamente se degladiado em lutas inglórias contra si própria disputando um poder ilusório e transitório das mais variadas formas, abusando e explorando os seus semelhantes e distorcendo idéias e princípios nobres a fim de servir a seus interesses mesquinhos e escusos... Bem, não é preciso ser nenhum gênio para concluir.
Mas sinto que há algo diferente no ar... Há algo mais grave, mais intenso acontecendo. Talvez pela velocidade com a qual o mundo esteja em franca transformação, ou a velocidade na qual as informações trafegam, desrespeitando fronteiras físicas, desmoronando censuras façam transparecer as maiores barbaridades dos crimes lesa-humanidade com mais clareza.
Mas talvez não seja só isso.
Há algo de errado com o mundo porque há algo de errado com os homens. Há algo de errado com nós, seus habitantes. Seus supostos habitantes racionais, dominantes entre os viventes, a cada dia libertam para o exterior a mais sombria de suas faces interiores.
Não circulam dentre nós, ao menos entre a parcela da população intelectualmente mais esclarecida, resultados das mais modernas pesquisas a respeito das consequências nefastas de nossas intervenções inconsequentes na natureza? Não estão todos os dias expostas nossa mais nefasta face exteriorizando atos do mais puro egoísmo, orgulho, ódio, crueldade, ganância? Não lemos diariamente relatos da violência extrema, colocando em dúvida a própria natureza humana de seus realizadores?
Não vemos os que supostamente deveriam defender o que é bom e puro degladiando-se em disputas mesquinhas pela propriedade da verdade? Não estão os dirigentes das nações do mundo e os detentores do poder econômico, religioso e militar tomando decisões questionáveis que nos fazem deduzir estarem a serviço de interesses próprios?
Não vemos os poucos defendores da ética cansados, exaustos, lutando contra as bases informais e degradadas das próprias instituições que representam? Não vemos a esperança se esvaindo em meio a sucessivas crises de todas as ordens? Não vemos os jovens se perdendo em labirintos de informação e dificuldades sem o amparo ético adequado?
Não proliferam os abusos de toda ordem e vícios e promiscuidades sob o suposto manto da diversidade dos comportamentos ditos naturais?
Parece haver um movimento intenso para o abismo, para as sombras, permeando toda a humanidade, regido por forças ocultas antigas e cruéis que encontram eco na nossa ignorância, na nossa ganância e na nossa fraqueza, calando os apelos da decência.
Deus nos salve.
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17 de fevereiro de 2009
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