terça-feira, 15 de setembro de 2009

Assombração

I- Fantasmas

Aqui sou consumida
por presa que estou à fantasia de esfinge
Devorada lentamente
por delírios e flagelos que atormentam
Infinitamente...

Não mais sou capaz
perco-me nesta indecisão que assombra
Permaneço agonizante
acorrentada que me fiz a esse fardo
Irracionalmente...

II- Acusações

Em palavras e atos afundei-me
Minha identidade e meu destino
Questiono
meu poder diante dele

Em doses duras de realidade afogo-me
Minha consciência e minhas forças
Duvido
acuso-me... impotente

III- Tortura

Não vivo em sofrimento
O martírio? não procuro.
A dúvida? não busco.

Não sei viver em sofrimento
O auto-desprezo? não tolero.
A culpa? tê-la... não posso.

IV- Delírio

E ao inferno
com o Perfeito, a Verdade, o Eterno

Ao inferno
com a Justiça, o Amor, o Divino

Tudo ao inferno!
Assim como minha dignidade...

V- Revelação

E tudo se revela...
Tenho luz e tenho força.
Convivo com os fantasmas
Serenamente

Abdico da dignidade
da paz, da razão
A vitória me é indiferente
Fiz-me tranqüila

Em nada muda a esfinge
Revelo-me
Entrego-me à suas palavras

Não há enigma
Há apenas o chamado:
a vida não cessa de pedir
a presença dos poetas,
que dela se escondem

O desafio não é seu, amigo imortal,
Ele me pertence
Eu desafio a mim mesma
Incessantemente...

Texto entregue ao meu amigo poeta Mannus MacLeod, nos saudoso tempo das Arcadas. Postado originalmente em 13 de setembro de 2008.

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