quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cinco mil reais o metro quadrado...

Quase enfartei. Na minha idade, seria fulminante. Um empreendimento novo, ok. Do lado do metrô, nem precisa atravessar a rua, ok. Um bairro que está valorizando, ok. Conjunto bonitinho, conceito, piscina, salão de festas, academia, dogwalk (?), etc e tal... Cinco mil reais o metro quadrado...

Aham.

Quando vi a abertura das vendas, duplex, para uma pessoa, no máximo duas, pensei: está na hora de sair de casa. Quer dizer, passou da hora de sair de casa. Na verdade, passou da hora de muita coisa. (Meu pior pesadelo era usar dentadura, os tempos mudam, hoje me imagino com 45 anos, morando com mamãe, assistindo “Supercine” com a vovó embaixo do cobertor enquanto as outras pessoas estão vivendo).

Uma caixinha de fósforos para mim só está bom.

Caixinha de fósforos cara essa...

Os míseros 64 m2 não ficam por menos de R$ 320.000,00. Sim, não errei na quantidade de zeros, é isso mesmo...

O treco é muito caro ou eu que ganho muito pouco?

Inconformada, passei a olhar o caderno de imóveis com mais cuidado (antes iam direto para a “pilha do cachorro”). Bem, com o dinheiro que eu tenho hoje, vendendo tudo, inclusive o carro, em São Paulo, nesta terra do concreto... eu talvez com muita sorte, se estiver muito barato, eventualmente quase compre... tcharararam: UMA QUITINETE NO CENTRÃO DE SÃO PAULO!

Em tempos de crise econômica internacional (e voltamos para 1929?), gastar R$ 320.000,00 para comprar uma caixinha de fósforos, só porque é nova, ou melhor, financiar essa caixinha de fósforos, com juros bancários altíssimos, e prestações mais altas do que o meu salário... Oh, God. Estou quietinha, na minha, sem dívida alguma... E um carrinho que anda, apesar de não ter direção hidráulica (ô coisa dura)... Ah, comigo não, violão!

Os imóveis novos estão muito caros ou eu que ganho muito pouco???

De onde esse povo tira dinheiro, meu Deus? E ainda para ficarem apinhados em apertamentos... Ah, saudades das casas com quintal, jardim, piscina, portões grandes em ruas arborizadas... Estão sumindo. Sumindo!

Mas nem tudo está perdido. Outro dia mesmo, conversando, descobri que uma casa com piscina em um loteamento fora de São Paulo custa R$ 110.000,00. O problema é essa cidade? A capital rica do Estado mais rico e que pior paga seus funcionários no Brasil (país super próspero, não?) tem mania de riqueza? Quanto mais alta a dívida de financiamento, mais ricos? Não. Não mesmo.

Bem que ouvi no rádio outro dia um economista comentando: o brasileiro é um analfabeto financeiro. O que esperávamos? Como poderia ser diferente em um país com esse índice absurdo de analfabetos funcionais?

Que seja. Passado o deslumbre da ostentação e do luxo, há ainda a possibilidade de alguma mudança na mentalidade das pessoas, e conseqüentemente no mercado, e eu não tenha de esperar tanto para tornar esse projeto mais próximo da realidade.
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19 de outubro de 2008

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