quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Solidão

Dor da vida, alma da morte
Passa o tempo, aumenta o corte
N'alma já tão desfigurada
E não sei permanecer calada

Preciso gritar, berrar intensamente
Preciso resfriar o coração quente
O fervilhão de idéias acalmar
Meu solitário peito confortar

Basta desta solidão indecente!
Preciso erguer os olhos para frente
Difícil é caminhar de tão cansada
Depois da morte, restou-me nada

Sinto falta de algum toque
É selva o que outrora fora bosque
Reina, em segurança, solidão bruta
Que a vida domina de tão absoluta

Questões cruéis ecoam na mente
De tão pura, vejo-me indecente
Ácida idéia insana tormento traz
Todavia, descubro nela alguma paz.
*
*
Texto escrito em meados de 1998, entregue em diálogos com meu colega Mannus e publicado no spaces em setembro de 2008.

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