quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Domingo, 12 de outubro de 2008

Domingo, 12 de outubro de 2008, 03h07. Nem amanheceu ainda. Um ímpeto. Amplio as pessoas que podem ver meu “spaces”. Um blog, oficialmente um blog. Afinal, de que serve um blog a um escritor, ou, no caso, uma pseudo-escritora, se ninguém o lê? Se serventia alguma tinha antes, agora talvez tenha, espero. Não que acredite que alguém vá, sinceramente, se interessar por ler as reflexões de uma balzaquiana em crise.

Hoje minhas amigas me chamaram para sair. Demoraram a ligar, meu edredom parecia infinitamente mais convidativo que golpe de vento, um bar barulhento, cervejas viradas em uma mesa infestada de mulheres, com os típicos “caras de balada” em volta, copinho na mão, comentando o som (pelo menos desta vez o som prometia) e olhando a bunda da mulherada para, atingido o correto teor alcoólico, tentar comer alguma buceta desavisada (desculpe o termo, mas não tenho outro mais claro). E como eu não faço parte da turma que dá pra qualquer Zé-mané que provavelmente nem o nome vai lembrar direito (nada contra, cada um com seus problemas), digo um sutil não, dois um-pouco-menos-sutis nãos, um terceiro e sonoro não, até chegar ao inevitável “vá pra puta que pariu” o que causa, fenômeno curioso, certa ira do interlocutor em ver seus intentos por água abaixo.

O saldo da noite costuma ser mais ou menos parecido. Eu e minhas amigas sentadas em algum lugar de comes e bebes madrugador, rindo das palhaçadas e das histórias da noite e, se alguma de nós teve a felicidade de encontrar algum espécime um pouco mais sóbrio que não foge correndo, comentários a respeito da viabilidade do projeto. Bem, normalmente concluímos pela inviabilidade. Então, pensamos, somos nós ou são os outros?

Sim, porque se eu levar às últimas conseqüências a lista, e a sobrevivência da raça humana depender disso... Bem, qual seria o próximo animal a dominar o planeta? Seria outro mamífero? E ficar em casa? Eu, o edredom, um filminho e... O pensamento que não pára de pensar. E o que eu pensar? Basicamente nas razões por sair ou não com as minhas amigas... Trocar umas risadas por o quê? E o frio? Ah... Este mês preciso economizar, afinal tive vários gastos extras.. O seguro do carro, a lente de contato. Nem mandei fazer o óculos novo ainda! Estou usando o velho, com as lentes antigas, mais fracas... E tudo por causa da porra do dinheiro.

O dinheiro... A porra do dinheiro.

Mas posso reclamar? Não tenho o direito de dizer palavra sobre isso. Bem, rica não sou, mas nunca me faltou nem comida, nem remédio, nem estudo, nem roupas quentinhas... Até posso me dar ao luxo de gastar com alguns supérfluos... E, nesse planetinha miserável, com esse ser humano miserável... Ah, não posso reclamar!

Poderia “tirar o escorpião do bolso” e me dar essa oportunidade de estar com as amigas, especialmente em um momento em que isso é extremamente necessário?

Mas o fato é que as três décadas vividas vendo sempre o mesmo filme começaram a pesar. E pesando, eu penso... E penso na trajetória de outrora até este momento, acordada a esta hora da madrugada, defronte o computador... De novo... E todas as decisões, oportunidades, caminhos, pessoas e erros foram surgindo no pensamento. Até que um deles, um único, ecoava... Ecoa... De tudo, só restou uma pergunta.

Uma pergunta que resume todas as decisões que tomei, coisas que eu fiz, que deixei de fazer, e, especialmente, resume o que me tornarei e o caminho a trilhar daqui em diante:

Vale a pena?

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