sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Primeira vez

Abra sua mente.

Como eu iria saber que não gostava de quiabo se nunca tivesse comido quiabo? Como eu iria saber que, apesar de não ser muito fã de rúcula na salada, ela fica ótima na pizza, se não tivesse me destituído do preconceito de que pizza só pode ser de queijo, e apenas de queijo?Aliás, se pizza só pudesse ser de queijo, o que seria da calabreza? Abra sua mente.

E se eu nunca tivesse ido ao teatro, assistido a um concerto? E se eu ficasse a vida toda dizendo que heavy metal é só barulho? Nem quero pensar nisso! Eu não teria um terço dos CDs que eu tenho! Abra sua mente.

Um adjetivo que me define bem é curiosa. Confesso, sou curiosíssima! Por isso, acabei lendo, ouvindo, indo, comendo, fazendo, conhecendo várias coisas, lugares, comidas, pessoas diferentes, de ambientes diferentes, de profissões diferentes, e tudo diferente. Abra sua mente.

Lógico que nessas eu acabei me metendo em algumas enrascadas, gasto dinheiro com programas de índio, mas tudo bem. Valeu a experiência. Eu sou "de boa", como se diz. Eu sigo Fernando Pessoa, tudo vale a pena. A minha alma, queridos, não é nem um pouco pequena. Estou sempre desafiando meus preconceitos. Se não for o caso de confrontar minha noção de moral, se não for o caso de prejudicar outras pessas, porque não? Eu gosto de expandir meus horizontes e ampliar os limites. Se eu fosse enjoada, não teria descoberto várias coisas que eu gosto. Eu nunca saberia.

Foi com esse espírito de aventura e novidade que fui viajar para a Chapada Diamantina. Não era exatamente um programa rotineiro para mim, mas a idéia me despertou curiosidade. Vendo as fotos imaginei que deveria ser lindo ver a grandeza daquelas paisagens in loco e fui. Acabei descobrindo que, não apenas aquelas paisagens das montanhas chapadas era estonteante, como também que visitar cavernas era algo extremamente interessante. Foi uma experiência incrível.

Quando entrei na primeira caverna pela primeira vez senti uma pontada de medo e ansiedade. Aquele ambiente escuro, silencioso, não sabia se seria úmido, seco, frio, quente, se teria morcegos voando sobre a minha cabeça, se teria abismos e perigos, se eu ficaria com claustrofobia ou não... Mas eu respirei fundo e fui seguindo.


Assim que fui me acostumando com o lugar, comecei a reparar nos detalhes, nos desenhos do teto feitos pela água que por lá passava milhares de anos atrás. Fui tentando guardar os nomes e as explicações geológicas do nosso guia. Fiquei admirada com todas aquelas formas escondidas. Nem mesmo tive medo dos poucos morceguinhos, cegos, encolhidinhos, que descansavam dependurados nas estalactites.

Mas o mais impressionante foi sentir a energia diferente que tem dentro de uma gruta. Isso ficou mais evidente com o silencio absoluto e a escuridão absoluta naquele um minuto que o guia apagou a luz do lampião.

Fiquei tão animada com a nova experiência que não pensei duas vezes antes de entrar nas outras, e também mergulhar naquela água gelada, para admirar as formações das rochas sob as águas. Na última caverna visitada, no dia seguinte, ficamos cerca de meia hora, até mais, flutuando com as máscaras, explorando cada canto, procurando o bagre cego, e sentindo um calafrio ao tentar conhecer o canto mais escuro. A sensação era de que algum animal pré-histórico iria sair de lá a qualquer momento. E essa sensação tambem valeu a pena.

Confesso que sinto vontade de repetir a dose, de encarar outro programa desses. Acho que estou com crise de abstinência... rsrs

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18 de setembro de 2009

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